A arte de quem trabalha com mamulengos

05/03/2018

Há três anos, o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil. Saiba mais sobre a arte de manipular histórias com linha, madeira e outros materiais.

João Redondo, babau, fantoche, títere, mamulengo, marionete... A arte do teatro de bonecos – aqui no Ceará conhecido por Cassimiro Coco - é sabida pelo mundo afora por diversos estilos e denominações. Sua história atravessa o mar e o tempo numa data que remonta cerca de 3 mil anos com registros de alguns historiadores quanto ao uso de “figuras de madeira operadas com barbante” e “bonecos articulados de marfim e argila” por civilizações egípcias.

O mamulengo seria, assim, a nomeação típica do brinquedo - este no sentido de tradição atrelada à cultura popular – no Nordeste brasileiro. “O molengo, momolengo, mamolengo, mamulengo vem de mão mole, molenga (...). É o ‘boneco brasileiro’ surgido em Pernambuco com características bem regionais”, explica Ângela Escudeiro em Cassimiro Coco de Cada Dia: Botando Boneco no Ceará (Ed. Imeph, 2007).

Atriz, escritora, bonequeira, arte-educadora, produtora e diretora artística, Ângela escreveu o livro motivada não só pelo registro do rico material em suas mãos, mas também visando o fortalecimento, a reafirmação e a evolução dessa arte em questão, a partir da catalogação de mestres (da Capital e interior do Estado) que a produzem e sobrevivem dela até os dias atuais.

“Já vinha de uma pesquisa desde 2000, 2001, só com recursos próprios. Até que abriu um edital, mas só para a pesquisa. A publicação veio bem depois, mas o que eu queria mesmo era que o livro desse visibilidade a eles (mestres mamulengueiros). E eles, para a minha surpresa, se estimularam muito com a minha visita”, relembra ela, que desde 2015, manipula bonecos e também dirige a equipe de manipulação do programa Nas Garras da Patrulha (TV Diário).

No Ceará, a trajetória da “bonecagem” pode ser talhada por nomes expressivos como Pedro Boca Rica (apelido de Pedro dos Santos de Oliveira) e Babi Guedes (grande referência também na cena musical), ambos já falecidos. Recém-chegado de Pernambuco, no início de 1980, Augusto Oliveira - ao lado da cearense Zilda Torres - fundou o Folguedo Produções Artísticas, considerado oficialmente o primeiro grupo de teatro de bonecos profissional do Ceará. Ainda na mesma década, passaram a existir outros na mesma linha (Formosura, Carrossel, Circo Tupiniquim, Gingobel, etc).

Na área do humor, Augusto adquiriu o sobrenome de “Bonequeiro”, trazendo a reboque vários personagens, sendo os carros-chefe o fofoqueiro Encrenca (que rendeu, por 16 anos, um programa de TV) e o inseparável Fuleragem. “Depois de um certo tempo que eu estava aqui (no Ceará), conhecia o Pedro Boca Rica e sugeri que ele fizesse um boneco pra eu trabalhar com um número solo. Aí ele construiu o Fuleragem pra mim. E ele (o boneco) é fantástico, uma figura maravilhosa! (risos) Tá quase virando gente, só falta título de eleitor e carteira de motorista”.

Fonte : O Povo online

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